SUBTIPO DA SÍNDROME DE EHLERS-DANLOS

Síndrome de Ehlers-Danlos Vascular SEDv

Um subtipo hereditário da Síndrome de Ehlers-Danlos associado principalmente à fragilidade das artérias, do intestino e do útero.

A Síndrome de Ehlers-Danlos Vascular, conhecida pela sigla SEDv ou vEDS, é um subtipo hereditário da Síndrome de Ehlers-Danlos associado principalmente à fragilidade das artérias, do intestino e do útero, além de características específicas da pele e dos tecidos conjuntivos.

Entre os 13 subtipos de Síndrome de Ehlers-Danlos reconhecidos pela classificação internacional, a SEDv é particularmente importante pela possibilidade de ocorrerem complicações relacionadas à fragilidade vascular e de órgãos internos.

As manifestações podem variar bastante entre as pessoas. Algumas são identificadas ainda na infância ou adolescência, especialmente quando existe histórico familiar conhecido, enquanto outras pessoas somente recebem o diagnóstico após uma complicação importante.

1:150.000

Prevalência

A prevalência exata da SEDv ainda não é conhecida. O GeneReviews estima uma prevalência mínima de aproximadamente 1 caso para cada 150.000 pessoas. Estudos mais recentes sugerem que a condição pode ser mais frequente do que se acreditava anteriormente.

Sinais e sintomas

Manifestações vasculares

As complicações vasculares são uma das características mais importantes da SEDv.

  • Aneurisma arterial
  • Dissecção arterial
  • Ruptura de artérias
  • Fístulas arteriovenosas
  • Complicações envolvendo diferentes territórios vasculares
  • Varizes de aparecimento precoce em algumas pessoas

A ruptura ou dissecção arterial pode ocorrer espontaneamente e pode envolver vasos do tórax, abdômen, cabeça, pescoço e extremidades.

Manifestações gastrointestinais

A fragilidade da parede intestinal pode levar à perfuração espontânea do trato gastrointestinal.

A região mais frequentemente envolvida é o cólon sigmoide, embora também tenham sido descritas perfurações do intestino delgado e do estômago.

A perfuração intestinal ocorre em aproximadamente 15% das pessoas com variantes patogênicas identificadas em COL3A1, embora a frequência possa variar de acordo com o tipo de variante genética.

Gestação e parto

A fragilidade dos tecidos pode aumentar o risco de determinadas complicações obstétricas.

  • Ruptura uterina
  • Lacerações perineais graves
  • Outras complicações relacionadas à fragilidade dos tecidos

O acompanhamento durante a gestação deve ser individualizado e realizado por uma equipe familiarizada com a condição.

Pele e tecidos

  • Pele fina e translúcida
  • Maior visibilidade dos vasos sanguíneos
  • Facilidade para desenvolver hematomas
  • Fragilidade dos tecidos
  • Aparência facial característica em algumas pessoas
  • Acrogeria

A hiperextensibilidade da pele tende a ser menos evidente do que na SED clássica.

Manifestações articulares e musculoesqueléticas

A hipermobilidade geralmente é mais evidente nas pequenas articulações.

  • Hipermobilidade de pequenas articulações
  • Subluxações e luxações
  • Instabilidade articular
  • Dor musculoesquelética
  • Ruptura de tendões ou músculos
  • Luxação congênita do quadril
  • Pé equinovaro

Outras manifestações

  • Pneumotórax ou hemopneumotórax
  • Fístula carótido-cavernosa espontânea
  • Ruptura do baço ou do fígado, em casos raros
  • Complicações envolvendo o coração
  • Alterações da articulação temporomandibular
  • Alterações na formação da dentina
  • Aparecimento precoce de varizes

Base genética

COL3A1

Principal gene relacionado

A SEDv está principalmente relacionada a variantes patogênicas heterozigóticas no gene COL3A1. Esse gene fornece as instruções para a produção da cadeia alfa-1 do colágeno tipo III.

COL1A1

Associação rara

Uma pequena parcela dos casos classificados como SEDv também foi associada a variantes patogênicas no gene COL1A1. Essa é uma causa rara e não representa a maioria dos casos.

Padrão de herança

A SEDv apresenta, na grande maioria dos casos, padrão de herança autossômico dominante.

Isso significa que uma única cópia alterada do gene pode ser suficiente para causar a condição.

Aproximadamente metade das pessoas diagnosticadas apresenta um dos pais afetado. Nos demais casos, a variante patogênica pode surgir como uma alteração nova, chamada de variante de novo.

Quando uma pessoa com SEDv possui uma variante patogênica no COL3A1, cada filho apresenta 50% de probabilidade de herdar essa variante.

Diagnóstico

Quando suspeitar

O diagnóstico deve ser considerado diante de determinadas manifestações clínicas, principalmente quando aparecem em conjunto ou quando existe histórico familiar compatível.

  • Aneurisma, dissecção ou ruptura arterial
  • Perfuração espontânea do cólon sigmoide
  • Ruptura uterina
  • Fístula carótido-cavernosa espontânea
  • Histórico familiar de SEDv
  • Pele fina e translúcida
  • Hematomas fáceis
  • Hipermobilidade de pequenas articulações
  • Pé equinovaro
  • Pneumotórax

Teste genético

Diferentemente da SEDh, a SEDv pode ser confirmada por teste genético.

O diagnóstico é estabelecido quando é identificada uma variante patogênica ou provavelmente patogênica heterozigótica no COL3A1.

Uma variante de significado incerto, por si só, não confirma nem exclui o diagnóstico de SEDv.

Tratamento e acompanhamento

Não existe atualmente um tratamento que corrija a alteração genética responsável pela SEDv.

O acompanhamento é direcionado à prevenção, identificação precoce e tratamento das complicações.

O acompanhamento pode envolver genética médica, cardiologia, cirurgia vascular, cirurgia geral e outras especialidades conforme as manifestações individuais.

O planejamento deve ser individualizado. Entre os cuidados considerados na literatura estão o controle adequado da pressão arterial, avaliação especializada do sistema vascular e planejamento prévio para situações de emergência.

A pessoa diagnosticada deve informar sua condição aos profissionais de saúde em procedimentos invasivos, cirurgias e situações de emergência.

ATENÇÃO

Quando procurar atendimento médico

Em uma pessoa com SEDv, sintomas súbitos e intensos podem representar uma emergência.

Dor súbita e intensa no peito, abdômen, costas ou em outra região do corpo, especialmente quando acompanhada de outros sintomas agudos, deve receber avaliação médica imediata.

A SEDv também deve ser informada à equipe de saúde em situações de emergência, procedimentos invasivos e cirurgias.

Esta orientação não substitui um plano individual de emergência elaborado com a equipe responsável pelo acompanhamento.

Importante

A SEDv pode se manifestar de maneiras diferentes em cada pessoa. As características e sintomas apresentados nesta página não estão necessariamente presentes em todos os indivíduos com SEDv, e outras manifestações também podem ocorrer.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de um profissional de saúde.

Para uma avaliação individualizada, procure profissionais capacitados para o diagnóstico e acompanhamento das Síndromes de Ehlers-Danlos.

Referências

Byers PH. Vascular Ehlers-Danlos Syndrome. GeneReviews®. University of Washington, Seattle. Atualizado em 10 de abril de 2025.

Malfait F, Francomano C, Byers P, et al. The 2017 international classification of the Ehlers-Danlos syndromes. American Journal of Medical Genetics Part C: Seminars in Medical Genetics. 2017.

GeneReviews®. Molecular Genetic Testing Used in Vascular Ehlers-Danlos Syndrome.

GeneReviews®. EDS Types in the Differential Diagnosis of Hypermobile Ehlers-Danlos Syndrome.

Pepin M, Byers PH. Diagnosis, natural history, and management in vascular Ehlers-Danlos syndrome. American Journal of Medical Genetics Part C: Seminars in Medical Genetics. 2017.

Conteúdo educativo do Projeto Zbra Rara. As informações apresentadas têm finalidade informativa e não substituem avaliação, diagnóstico ou acompanhamento profissional.