Síndrome de Ehlers-Danlos Espondilodisplásica

Subtipo raro da Síndrome de Ehlers-Danlos caracterizado principalmente por baixa estatura, alterações da coluna, desenvolvimento ósseo anormal, hipotonia muscular, hipermobilidade articular e alterações da pele.

SEDed • spEDS

Sobre a SEDed

A Síndrome de Ehlers-Danlos Espondilodisplásica, conhecida pela sigla SEDed ou spEDS, é um subtipo raro da Síndrome de Ehlers-Danlos caracterizado principalmente por baixa estatura, alterações da coluna vertebral, desenvolvimento anormal dos ossos, hipotonia muscular, hipermobilidade articular e alterações da pele.

A condição pode apresentar características desde a infância, incluindo atraso do desenvolvimento motor, membros encurtados, deformidades da coluna e alterações da estrutura óssea.

A SEDed apresenta formas geneticamente relacionadas aos genes B4GALT7, B3GALT6 e SLC39A13. As formas relacionadas a B4GALT7, B3GALT6 e SLC39A13 apresentam herança autossômica recessiva.

Prevalência
Desconhecida. A SEDed é considerada uma condição muito rara.

A prevalência exata não é conhecida. Existem poucos casos diagnosticados e descritos na literatura médica, e não existem dados populacionais suficientes para estabelecer uma estimativa confiável da frequência na população geral.

Sinais e sintomas

A SEDed pode apresentar manifestações principalmente no crescimento, desenvolvimento ósseo, musculatura, articulações e pele. A intensidade dos sinais varia entre as pessoas.

Baixa estatura

A baixa estatura é uma das características mais frequentes da SEDed.

  • crescimento linear reduzido
  • baixa estatura desde a infância
  • crescimento desproporcional dos membros
  • membros encurtados
  • mãos e pés pequenos

O padrão de crescimento pode variar de acordo com o gene envolvido.

Alterações da coluna

Podem ocorrer alterações estruturais da coluna vertebral.

  • cifose
  • escoliose
  • cifoescoliose
  • alterações das vértebras
  • deformidades da coluna
  • alterações posturais

Essas alterações podem surgir durante a infância e, em alguns casos, podem progredir com o crescimento.

Desenvolvimento ósseo

A SEDed pode causar alterações no desenvolvimento e na formação dos ossos.

  • alterações da mineralização óssea
  • osteopenia
  • deformidades ósseas
  • alterações das extremidades
  • ossos longos encurtados
  • alterações da forma das vértebras
  • fragilidade óssea

A intensidade das alterações ósseas varia conforme a causa genética.

Hipotonia muscular

A hipotonia muscular é uma manifestação frequente, principalmente durante a infância.

  • redução do tônus muscular
  • fraqueza muscular
  • atraso do desenvolvimento motor
  • dificuldade para adquirir habilidades motoras
  • dificuldade para caminhar
  • alterações da coordenação motora

Em algumas pessoas, a hipotonia pode melhorar com o crescimento, mas a fraqueza muscular pode persistir.

Hipermobilidade articular

A hipermobilidade pode afetar várias articulações.

  • hipermobilidade articular generalizada
  • instabilidade articular
  • subluxações
  • luxações
  • entorses recorrentes
  • dor articular

A hipermobilidade pode coexistir com alterações ósseas e contraturas.

Contraturas

Algumas pessoas podem apresentar contraturas articulares, especialmente durante a infância.

  • limitação de determinados movimentos
  • dificuldade para estender completamente algumas articulações
  • alterações da marcha
  • alterações posturais

Manifestações da pele

  • pele hiperextensível
  • pele macia ou aveludada
  • facilidade para desenvolver hematomas
  • cicatrizes atróficas
  • fragilidade cutânea
  • alterações na textura da pele

As manifestações cutâneas podem ser discretas e variar entre os indivíduos.

Características faciais

Algumas pessoas apresentam características faciais características, que podem incluir:

  • face triangular
  • testa proeminente
  • olhos proeminentes
  • nariz com formato característico
  • lábios finos
  • queixo pequeno

Essas características podem mudar com o crescimento.

Alterações dos olhos

  • miopia
  • hipermetropia
  • astigmatismo
  • estrabismo
  • alterações da córnea
  • alterações da esclera

A frequência e a gravidade dessas manifestações dependem do gene envolvido.

Alterações dos pés

  • pés planos
  • pé torto
  • deformidades dos pés
  • alterações dos dedos
  • dificuldade para caminhar

Essas alterações podem estar relacionadas às características ósseas, musculares e articulares da condição.

Hérnias

  • hérnia umbilical
  • hérnia inguinal
  • outras hérnias relacionadas à fragilidade do tecido conjuntivo

Outras manifestações

  • osteopenia
  • atraso motor
  • fadiga
  • dor musculoesquelética
  • alterações dentárias
  • alterações do desenvolvimento
  • alterações geniturinárias
  • alterações cardiovasculares em algumas formas

Nem todas essas manifestações estão presentes em todas as pessoas com SEDed.

Base genética

A SEDed é geneticamente heterogênea, o que significa que diferentes alterações genéticas podem produzir manifestações compatíveis com o subtipo.

B4GALT7

O gene B4GALT7 fornece as instruções para a produção de uma enzima envolvida na formação de proteoglicanos e na organização da matriz extracelular. Alterações nesse gene podem prejudicar a estrutura do tecido conjuntivo e interferir no desenvolvimento dos ossos e de outros tecidos.

B3GALT6

O gene B3GALT6 também participa da formação de estruturas importantes da matriz extracelular, especialmente dos proteoglicanos que ajudam a organizar o tecido conjuntivo. Variantes patogênicas podem causar alterações no desenvolvimento ósseo, baixa estatura, hipermobilidade e outras manifestações características da SEDed.

SLC39A13

O gene SLC39A13 codifica uma proteína envolvida no transporte de zinco para dentro das células. O zinco participa de diversos processos celulares e enzimáticos, incluindo processos importantes para a formação e manutenção do tecido conjuntivo. Alterações no SLC39A13 podem produzir uma forma de SEDed com características próprias, incluindo alterações da pele, articulações e cicatrização.

Padrão de herança

As formas de SEDed relacionadas aos genes B4GALT7, B3GALT6 e SLC39A13 apresentam padrão de herança autossômico recessivo.

Isso significa que, para apresentar a condição, a pessoa geralmente precisa herdar uma variante patogênica em cada uma das duas cópias do gene relacionado, uma proveniente de cada progenitor.

25% probabilidade de a criança apresentar a condição
50% probabilidade de ser portadora de uma variante
25% probabilidade de não herdar nenhuma das variantes familiares

Diagnóstico

O diagnóstico da SEDed começa pela avaliação das características clínicas.

Quando levantar suspeita

  • baixa estatura
  • alterações da coluna
  • desenvolvimento ósseo anormal
  • hipotonia muscular
  • atraso motor
  • hipermobilidade articular
  • contraturas
  • alterações da pele
  • características faciais características
  • deformidades dos pés
  • osteopenia
  • alterações oculares
  • hérnias
  • alterações gastrointestinais

Teste genético

A confirmação do diagnóstico é realizada por teste genético. A identificação de variantes patogênicas ou provavelmente patogênicas compatíveis em B4GALT7, B3GALT6 ou SLC39A13, de acordo com o padrão de herança e os achados clínicos, pode confirmar o diagnóstico molecular.

A análise genética é especialmente importante porque algumas características da SEDed podem se sobrepor às de outras doenças do tecido conjuntivo e de outras condições esqueléticas.

Uma variante de significado incerto, isoladamente, não confirma nem exclui o diagnóstico.

Tratamento e acompanhamento

Não existe atualmente um tratamento que elimine a alteração genética responsável pela SEDed. O acompanhamento é direcionado às manifestações apresentadas por cada pessoa.

Equipe de acompanhamento

  • geneticista
  • ortopedista
  • fisioterapeuta
  • endocrinologista
  • oftalmologista
  • terapeuta ocupacional
  • pediatra
  • outros especialistas conforme as manifestações

Fisioterapia

A fisioterapia pode ajudar a melhorar a força muscular, a estabilidade articular, a mobilidade funcional e a coordenação motora.

O acompanhamento deve ser individualizado de acordo com as necessidades e limitações de cada pessoa.

Acompanhamento ortopédico

Pode ser necessário monitorar escoliose, cifose, alterações dos quadris, deformidades dos pés, alterações ósseas e osteopenia.

Saúde óssea

A avaliação da densidade mineral óssea pode ser indicada quando existem fatores de risco para osteopenia ou fragilidade óssea.

Avaliação ocular

O acompanhamento oftalmológico deve ser realizado quando existem alterações visuais ou oculares.

Cuidado individualizado

O tratamento deve ser definido de acordo com as manifestações apresentadas por cada pessoa e com a avaliação da equipe responsável.

Diferenças entre as formas genéticas

Embora estejam classificadas dentro da SEDed, existem diferenças entre as manifestações associadas aos diferentes genes.

B4GALT7

  • baixa estatura
  • alterações da coluna
  • hipermobilidade
  • osteopenia
  • alterações da estrutura óssea
  • características faciais
  • alterações dos pés

B3GALT6

  • baixa estatura
  • alterações da coluna
  • osteopenia
  • hipermobilidade
  • alterações da pele
  • deformidades ósseas
  • hipotonia

SLC39A13

  • pele fina e hiperextensível
  • hematomas
  • cicatrizes atróficas
  • hipermobilidade articular
  • alterações da cicatrização
  • alterações da pigmentação da pele
  • alterações dentárias

Importante

A SEDed afeta cada pessoa de forma diferente. Os sintomas listados aqui podem não afetar todas as pessoas com SEDed, e pessoas com SEDed podem apresentar outros sintomas que não estão listados nesta página.

Esta página se destina a fornecer informações sobre os sintomas que podem ocorrer em indivíduos com SEDed e não constitui aconselhamento médico. Consulte sempre um profissional de saúde para obter orientação médica personalizada.

Referências

Malfait F, Francomano C, Byers P, et al. The 2017 international classification of the Ehlers-Danlos syndromes. American Journal of Medical Genetics Part C: Seminars in Medical Genetics. 2017.

Malfait F, et al. B4GALT7-related spondylodysplastic Ehlers-Danlos syndrome.

Clayton-Smith J, et al. B3GALT6-related spondylodysplastic Ehlers-Danlos syndrome.

SLC39A13-related Ehlers-Danlos syndrome. Estudos clínicos e genéticos sobre a forma relacionada ao SLC39A13.

The Ehlers-Danlos Society. Spondylodysplastic EDS, spEDS.

GeneReviews®. Ehlers-Danlos Syndrome Types in the Differential Diagnosis of Hypermobile Ehlers-Danlos Syndrome.