SÍNDROME DE EHLERS-DANLOS CARDÍACA-VALVULAR

cvEDS, um subtipo muito raro associado principalmente à doença cardíaca valvar grave e progressiva.

O que é a cvEDS?

A Síndrome de Ehlers-Danlos Cardíaca-valvular, conhecida pela sigla cvEDS, é um subtipo muito raro da Síndrome de Ehlers-Danlos caracterizado principalmente por doença cardíaca valvar grave e progressiva.

A condição também pode apresentar características do tecido conjuntivo, como hiperextensibilidade da pele, cicatrizes atróficas e hipermobilidade articular.

A cvEDS está relacionada a alterações presentes nas duas cópias do gene COL1A2 e apresenta herança autossômica recessiva.

A principal característica da cvEDS

O comprometimento cardíaco é a característica central da cvEDS. A doença pode afetar principalmente as válvulas aórtica e mitral, apresentando evolução progressiva e, em casos graves, podendo exigir reparo ou substituição da válvula afetada.

Prevalência

A cvEDS é considerada uma condição extremamente rara. Não existe uma estimativa confiável de prevalência na população geral. Poucos casos foram descritos na literatura médica.

Estudos recentes relatam menos de dez indivíduos com a forma clássica de cvEDS associada à ausência funcional da cadeia proα2(I) do colágeno tipo I.

Prevalência: desconhecida. A cvEDS é considerada uma condição muito rara.

Sinais e sintomas

A principal característica da cvEDS é a doença cardíaca valvar progressiva. Entretanto, outras manifestações relacionadas ao tecido conjuntivo também podem ocorrer.

Manifestações cardíacas

O comprometimento cardíaco é a característica central da cvEDS.

  • Doença valvar cardíaca grave e progressiva
  • Insuficiência da válvula aórtica
  • Insuficiência da válvula mitral
  • Alterações estruturais das válvulas
  • Progressão da regurgitação valvar
  • Possível necessidade de cirurgia em casos graves

Manifestações da pele

  • Pele hiperextensível
  • Pele fina
  • Cicatrizes atróficas
  • Facilidade para desenvolver hematomas
  • Fragilidade dos tecidos

Articulações e músculos

  • Hipermobilidade articular
  • Luxações ou subluxações
  • Instabilidade articular
  • Pés planos ou planos-valgos
  • Hálux valgo
  • Pectus excavatum

Hérnias

Podem ocorrer hérnias, especialmente hérnias inguinais, relacionadas à fragilidade do tecido conjuntivo.

Base genética

Gene relacionado: COL1A2

O gene COL1A2 fornece as instruções para a produção da cadeia alfa-2 do colágeno tipo I, uma das principais proteínas estruturais do tecido conjuntivo.

Na forma clássica da cvEDS, as variantes presentes no COL1A2 levam à ausência da cadeia proα2(I) do colágeno tipo I. Essa alteração afeta a estrutura e a função do tecido conjuntivo e está associada principalmente à doença cardíaca valvar grave e progressiva.

Padrão de herança

A cvEDS apresenta padrão de herança autossômico recessivo. Para apresentar a forma clássica da condição, a pessoa geralmente precisa herdar uma variante patogênica em cada uma das duas cópias do gene COL1A2, uma proveniente de cada progenitor.

25% probabilidade de a criança apresentar a condição
50% probabilidade de ser portadora de uma variante
25% probabilidade de não herdar nenhuma das variantes familiares

O aconselhamento genético pode ajudar as famílias a compreender o padrão de herança e as possibilidades para futuras gestações.

Diagnóstico

O diagnóstico da cvEDS envolve a avaliação das características clínicas, especialmente a presença de doença cardíaca valvar grave e progressiva, associada a características do tecido conjuntivo e, quando disponível, à confirmação genética.

Os principais sinais que podem levantar suspeita incluem:

Doença cardíaca

  • Doença progressiva da válvula aórtica ou mitral

Tecido conjuntivo

  • Hiperextensibilidade da pele
  • Cicatrizes atróficas
  • Pele fina
  • Hematomas

Articulações

  • Hipermobilidade articular
  • Luxações ou subluxações

Outras características

  • Hérnias
  • Deformidades do tórax
  • Alterações nos pés
  • Histórico familiar compatível

Teste genético

A confirmação da cvEDS exige teste genético molecular. O diagnóstico é estabelecido quando são identificadas variantes patogênicas ou provavelmente patogênicas nas duas cópias do gene COL1A2, compatíveis com a forma clássica da condição.

O teste genético é particularmente importante porque a doença cardíaca valvar grave também pode ocorrer em outras condições. A identificação da alteração genética ajuda a confirmar o diagnóstico e permite avaliar familiares que possam estar em risco.

Uma variante de significado incerto não é suficiente, isoladamente, para confirmar o diagnóstico.

Tratamento e acompanhamento

Não existe atualmente um tratamento que elimine a alteração genética responsável pela cvEDS. O acompanhamento é direcionado principalmente ao controle e monitoramento da doença cardíaca e das demais manifestações.

Cardiologia

O acompanhamento cardiológico é especialmente importante devido ao caráter progressivo da doença valvar.

Cirurgia cardíaca

Quando a insuficiência valvar se torna significativa, pode ser necessário reparo ou substituição da válvula, conforme avaliação da equipe médica.

Genética

O acompanhamento genético pode auxiliar na confirmação diagnóstica e na avaliação familiar.

Articulações

Estratégias de fortalecimento, estabilização e proteção das articulações podem ser utilizadas conforme a necessidade.

Diferença entre cvEDS e SED clássica

A cvEDS e a SED clássica podem apresentar características semelhantes, como hiperextensibilidade da pele, cicatrizes atróficas, facilidade para desenvolver hematomas, hipermobilidade articular e hérnias.

SED clássica

  • Geralmente relacionada aos genes COL5A1 ou COL5A2
  • Herança geralmente autossômica dominante
  • Cicatrizes atróficas características

cvEDS

  • Relacionada ao gene COL1A2
  • Herança autossômica recessiva
  • Doença cardíaca valvar grave e progressiva

A confirmação genética é importante para diferenciar essas condições quando existe sobreposição de características clínicas.

Importante

A cvEDS pode se manifestar de maneiras diferentes em cada pessoa. As características e sintomas apresentados nesta página não estão necessariamente presentes em todos os indivíduos com cvEDS, e outras manifestações também podem ocorrer.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de um profissional de saúde. Para uma avaliação individualizada, procure profissionais capacitados para o diagnóstico e acompanhamento das Síndromes de Ehlers-Danlos.

Referências

Malfait F, Francomano C, Byers P, et al. The 2017 international classification of the Ehlers-Danlos syndromes. American Journal of Medical Genetics Part C: Seminars in Medical Genetics. 2017.

Malfait F, et al. Cardiac-valvular Ehlers-Danlos syndrome. Descrição e critérios clínicos da classificação internacional de 2017.

Genetic diagnosis of the Ehlers-Danlos syndromes. Revisão sobre diagnóstico molecular e condições relacionadas aos genes do colágeno.

The Ehlers-Danlos Society. Cardiac-valvular EDS, cvEDS.

GeneReviews®. Ehlers-Danlos Syndrome Types in the Differential Diagnosis of Hypermobile Ehlers-Danlos Syndrome.