SUBTIPO DA SÍNDROME DE EHLERS-DANLOS

SÍNDROME DE EHLERS-DANLOS MUSCULOCONTRATURAL

SEDmc ou mcEDS, uma condição rara do tecido conjuntivo caracterizada principalmente por contraturas articulares congênitas ou de início precoce, alterações da pele e características musculoesqueléticas específicas.

O que é a SEDmc?

A Síndrome de Ehlers-Danlos Musculocontratural, conhecida pela sigla SEDmc ou mcEDS, é um subtipo raro da Síndrome de Ehlers-Danlos caracterizado principalmente por contraturas articulares congênitas ou de início precoce, características faciais específicas, hiperextensibilidade da pele, fragilidade cutânea e alterações do desenvolvimento musculoesquelético.

A condição também pode estar associada a hipermobilidade de algumas articulações, deformidades da coluna e do tórax, osteopenia, alterações dos olhos, problemas gastrointestinais e outras manifestações relacionadas ao tecido conjuntivo.

A SEDmc apresenta duas formas geneticamente definidas, relacionadas aos genes CHST14 e DSE. Ambas apresentam herança autossômica recessiva.

Prevalência

Desconhecida
A SEDmc é considerada uma condição muito rara. Não existem dados populacionais suficientes para estabelecer uma estimativa confiável da sua frequência.

Apenas um número limitado de pessoas foi identificado e descrito na literatura médica. A maioria dos casos conhecidos está relacionada ao gene CHST14.

Não existem dados populacionais suficientes para estabelecer uma estimativa confiável da frequência da SEDmc.

Sinais e sintomas

A SEDmc pode apresentar manifestações desde o nascimento. A combinação e a intensidade dos sinais variam entre as pessoas.

Contraturas articulares

As contraturas articulares congênitas ou de início precoce são uma das principais características da SEDmc.

  • Contraturas dos dedos das mãos
  • Contraturas dos cotovelos
  • Contraturas dos joelhos
  • Limitações da mobilidade articular
  • Deformidades articulares
  • Rigidez de determinadas articulações

Com o crescimento, algumas contraturas podem melhorar, enquanto outras podem permanecer.

Ao mesmo tempo, determinadas articulações podem apresentar hipermobilidade e instabilidade, criando uma combinação de rigidez em algumas regiões e excesso de mobilidade em outras.

Manifestações da pele

A pele pode apresentar:

  • Hiperextensibilidade
  • Fragilidade
  • Facilidade para desenvolver hematomas
  • Cicatrizes atróficas
  • Cicatrização anormal
  • Pele macia ou aveludada
  • Excesso de pele

A fragilidade cutânea pode facilitar o surgimento de ferimentos, especialmente durante a infância.

Características faciais

As características faciais são importantes para o reconhecimento da SEDmc.

  • Face alongada ou triangular
  • Olhos proeminentes
  • Fissuras palpebrais inclinadas para baixo
  • Nariz com formato característico
  • Lábios finos
  • Boca pequena
  • Queixo pequeno
  • Aparência facial característica desde a infância

Essas características podem se modificar com o crescimento.

Desenvolvimento motor e musculatura

  • Hipotonia muscular
  • Fraqueza muscular
  • Atraso no desenvolvimento motor
  • Dificuldade para adquirir determinadas habilidades motoras
  • Redução da força muscular
  • Alterações da coordenação motora

A combinação de hipotonia, contraturas e alterações articulares pode dificultar o desenvolvimento motor durante a infância.

Coluna e tórax

Podem ocorrer alterações musculoesqueléticas, incluindo:

  • Cifoescoliose
  • Escoliose
  • Cifose
  • Pectus excavatum
  • Pectus carinatum
  • Instabilidade da coluna
  • Deformidades da coluna vertebral

A gravidade dessas alterações varia entre os indivíduos.

Pés e membros

  • Pé torto congênito
  • Pés planos
  • Deformidades dos pés
  • Dedos longos ou finos
  • Alterações na posição dos dedos
  • Hipermobilidade de determinadas articulações

Osteopenia

A osteopenia pode ocorrer na SEDmc e pode ser identificada principalmente durante a infância ou adolescência.

Em algumas pessoas, alterações na densidade mineral óssea podem aumentar o risco de problemas musculoesqueléticos.

Alterações oculares

  • Miopia
  • Hipermetropia
  • Astigmatismo
  • Estrabismo
  • Alterações da córnea
  • Escleras azuladas

As manifestações oculares não estão presentes em todas as pessoas.

Alterações gastrointestinais

  • Constipação
  • Refluxo gastroesofágico
  • Distensão abdominal
  • Alterações da motilidade gastrointestinal
  • Divertículos
  • Fragilidade do trato gastrointestinal

A intensidade das manifestações gastrointestinais é variável.

Hérnias

  • Hérnia umbilical
  • Hérnia inguinal
  • Outras hérnias relacionadas à fragilidade do tecido conjuntivo

Outras manifestações

  • Alterações dentárias
  • Problemas periodontais
  • Alterações urinárias
  • Prolapso de órgãos pélvicos
  • Alterações vasculares
  • Dificuldade de cicatrização
  • Fadiga
  • Dor musculoesquelética

Base genética

Genes relacionados: CHST14 e DSE

A SEDmc pode ser causada por variantes patogênicas nas duas cópias do gene CHST14 ou, mais raramente, do gene DSE.

CHST14

O gene CHST14 fornece as instruções para a produção da enzima carboidrato sulfotransferase 14.

Essa enzima participa da modificação de componentes da matriz extracelular, especialmente do dermatan sulfato, um componente importante do tecido conjuntivo.

Alterações no CHST14 podem prejudicar a formação e a organização adequadas da matriz extracelular, comprometendo a estrutura e a resistência dos tecidos.

DSE

O gene DSE fornece as instruções para a produção da enzima dermatan-sulfato epimerase.

Essa enzima também participa da produção e organização do dermatan sulfato.

Alterações no DSE podem interferir na estrutura da matriz extracelular e produzir manifestações semelhantes às observadas na forma relacionada ao CHST14.

Padrão de herança

A SEDmc apresenta padrão de herança autossômico recessivo.

Isso significa que, para apresentar a condição, a pessoa geralmente precisa herdar uma variante patogênica em cada uma das duas cópias do gene relacionado, uma proveniente de cada progenitor.

25% Probabilidade de a criança apresentar a condição
50% Probabilidade de ser portadora de uma variante
25% Probabilidade de não herdar nenhuma das variantes familiares

Os pais de uma pessoa afetada geralmente são portadores e não apresentam a forma completa da condição.

Diagnóstico

O diagnóstico da SEDmc começa pela avaliação clínica.

Os principais sinais que podem levantar suspeita incluem:

  • Contraturas articulares congênitas ou de início precoce
  • Características faciais características
  • Hiperextensibilidade da pele
  • Fragilidade cutânea
  • Cicatrizes atróficas
  • Hipotonia muscular
  • Atraso motor
  • Hipermobilidade de determinadas articulações
  • Cifoescoliose
  • Deformidades dos pés
  • Osteopenia
  • Alterações oculares
  • Hérnias
  • Alterações gastrointestinais

Uma combinação importante

A combinação de contraturas congênitas, características faciais características e alterações da pele é especialmente importante para levantar a suspeita de SEDmc.

Teste genético

A confirmação do diagnóstico é realizada por teste genético.

A SEDmc relacionada ao CHST14 é confirmada pela identificação de duas variantes patogênicas ou provavelmente patogênicas no gene CHST14, uma em cada cópia do gene.

A forma relacionada ao DSE é confirmada pela identificação de variantes patogênicas compatíveis nas duas cópias do gene DSE.

A análise genética também permite diferenciar a SEDmc de outros subtipos da Síndrome de Ehlers-Danlos e de outras condições que apresentam contraturas congênitas e alterações do tecido conjuntivo.

Uma variante de significado incerto, isoladamente, não confirma nem exclui o diagnóstico.

Tratamento e acompanhamento

Não existe atualmente um tratamento que elimine a alteração genética responsável pela SEDmc. O acompanhamento é direcionado às manifestações apresentadas por cada pessoa.

Dependendo das necessidades individuais, podem participar do acompanhamento:

  • Geneticista
  • Ortopedista
  • Fisioterapeuta
  • Terapeuta ocupacional
  • Oftalmologista
  • Dentista
  • Gastroenterologista
  • Outros especialistas conforme as manifestações apresentadas

A fisioterapia pode ajudar a melhorar a força muscular, a mobilidade funcional e a estabilidade das articulações.

Em crianças, o acompanhamento precoce pode ser importante para estimular o desenvolvimento motor e reduzir o impacto das contraturas sobre a função.

O tratamento das deformidades da coluna, dos pés e das articulações deve ser individualizado.

Quando existem contraturas importantes, podem ser utilizadas órteses, exercícios terapêuticos e outras estratégias de reabilitação. Em situações específicas, procedimentos cirúrgicos podem ser considerados pela equipe responsável.

O acompanhamento da saúde óssea pode ser indicado quando existe osteopenia ou outros fatores de risco.

Avaliações oftalmológicas, odontológicas e gastrointestinais devem ser realizadas quando houver manifestações relacionadas a essas áreas.

Diferença entre as formas CHST14 e DSE

A maior parte dos casos conhecidos de SEDmc está relacionada ao gene CHST14.

A forma relacionada ao DSE é muito mais rara.

As duas formas apresentam características semelhantes, principalmente:

  • Contraturas articulares
  • Alterações da pele
  • Hipermobilidade de algumas articulações
  • Características faciais
  • Alterações musculoesqueléticas

Entretanto, algumas manifestações podem ser mais frequentes ou mais características em uma das formas genéticas.

A confirmação molecular é importante para determinar qual gene está envolvido e para auxiliar no acompanhamento e aconselhamento genético da família.

Importante

A SEDmc afeta cada pessoa de forma diferente. Os sintomas listados aqui podem não afetar todas as pessoas com SEDmc, e pessoas com SEDmc podem apresentar outros sintomas que não estão listados nesta página.

Esta página se destina a fornecer informações sobre os sintomas que podem ocorrer em indivíduos com SEDmc e não constitui aconselhamento médico. Consulte sempre um profissional de saúde para obter orientação médica personalizada.

Referências

Malfait F, Francomano C, Byers P, et al. The 2017 international classification of the Ehlers-Danlos syndromes. American Journal of Medical Genetics Part C: Seminars in Medical Genetics. 2017.

Zhang W, et al. Musculocontractural Ehlers-Danlos syndrome caused by CHST14 mutations. Estudos clínicos e genéticos sobre a SED musculocontratural relacionada ao CHST14.

Molecular and clinical studies of DSE-related musculocontractural Ehlers-Danlos syndrome.

The Ehlers-Danlos Society. Musculocontractural EDS, mcEDS.

GeneReviews®. Ehlers-Danlos Syndrome Types in the Differential Diagnosis of Hypermobile Ehlers-Danlos Syndrome.

GeneReviews®. Musculocontractural Ehlers-Danlos Syndrome, CHST14-related and DSE-related forms.