SUBTIPOS DA SÍNDROME DE EHLERS-DANLOS

Síndrome de Ehlers-Danlos Clássica, SEDc

Conheça as principais características, manifestações, base genética, diagnóstico e acompanhamento da SEDc.

A Síndrome de Ehlers-Danlos Clássica, conhecida pela sigla SEDc ou cEDS, é uma condição hereditária do tecido conjuntivo caracterizada principalmente por hiperextensibilidade da pele, cicatrizes atróficas e hipermobilidade articular generalizada.

A SEDc é um dos 13 subtipos reconhecidos pela classificação internacional das Síndromes de Ehlers-Danlos. Entre suas características mais marcantes estão a fragilidade da pele e dos tecidos moles, a facilidade para desenvolver hematomas e a tendência a apresentar cicatrizes características após ferimentos.

A intensidade das manifestações pode variar bastante entre as pessoas. Alguns indivíduos apresentam um quadro mais evidente desde a infância, enquanto outros podem ter manifestações mais leves e permanecer sem diagnóstico por muitos anos.

Prevalência

Prevalência estimada 1 : 20.000

A prevalência da SEDc é estimada em aproximadamente 1 caso a cada 20.000 pessoas. Esse número é considerado uma estimativa, pois pessoas com manifestações mais leves podem não ser diagnosticadas e, consequentemente, não aparecer nas estatísticas.

Sinais e sintomas

A SEDc pode afetar principalmente a pele, as articulações e outros tecidos conjuntivos. A apresentação clínica varia entre os indivíduos.

Manifestações da pele

As características da pele são uma das principais diferenças entre a SEDc e a SED hipermóvel.

  • Pele hiperextensível, que pode se esticar mais do que o habitual
  • Pele macia ou aveludada
  • Fragilidade da pele
  • Facilidade para desenvolver hematomas
  • Cicatrização anormal
  • Cicatrizes atróficas, que podem apresentar aspecto fino ou afundado
  • Maior facilidade para sofrer lesões cutâneas
  • Formação de hérnias em algumas pessoas

As cicatrizes atróficas, especialmente quando associadas à hiperextensibilidade da pele e à hipermobilidade articular, são características importantes na avaliação da SEDc.

Manifestações articulares e musculoesqueléticas

  • Hipermobilidade articular generalizada
  • Instabilidade das articulações
  • Subluxações ou luxações
  • Entorses recorrentes
  • Dor articular
  • Dor musculoesquelética
  • Alterações posturais
  • Fadiga relacionada ao esforço

A hipermobilidade pode contribuir para lesões e instabilidade, principalmente quando as articulações são submetidas a movimentos repetitivos ou sobrecarga.

Outras manifestações

  • Hérnias
  • Prolapso de órgãos pélvicos
  • Sintomas gastrointestinais
  • Manifestações cardiovasculares
  • Alterações oculares
  • Sangramentos ou facilidade para desenvolver hematomas
  • Manifestações relacionadas à gravidez e ao parto

A frequência e a gravidade dessas manifestações são variáveis. Nem todas as pessoas com SEDc apresentam essas características.

Gestação e parto

Durante a gestação e o parto, algumas pessoas com SEDc podem apresentar maior risco de determinadas complicações, como lacerações perineais, hemorragia pós-parto, prolapso pélvico e incontinência.

Também foram descritas maior frequência de ruptura prematura das membranas e prematuridade em determinadas situações. O acompanhamento deve ser individualizado e realizado por profissionais que conheçam as características da condição.

Base genética

A SEDc está principalmente relacionada a alterações patogênicas nos genes:

COL5A1 Gene relacionado ao colágeno tipo V
COL5A2 Gene relacionado ao colágeno tipo V
COL1A1 Associação rara com quadro compatível

Os genes COL5A1 e COL5A2 estão relacionados à produção do colágeno tipo V, uma proteína que participa da formação e organização das fibras de colágeno presentes em diferentes tecidos.

De acordo com dados do GeneReviews, aproximadamente 81% dos casos moleculares de SEDc estão relacionados ao COL5A1, 16% ao COL5A2 e uma pequena parcela ao COL1A1.

Apesar disso, uma parcela dos indivíduos clinicamente diagnosticados pode não apresentar uma alteração genética identificável nos genes atualmente conhecidos.

Padrão de herança

A SEDc apresenta, em geral, padrão de herança autossômico dominante.

Isso significa que uma alteração patogênica em uma das cópias do gene pode ser suficiente para causar a condição.

Quando uma pessoa possui uma variante patogênica responsável pela SEDc, existe a possibilidade de transmiti-la aos filhos. Entretanto, o aconselhamento genético deve considerar o gene envolvido, a variante identificada e o histórico familiar.

Diagnóstico

O diagnóstico da SEDc é realizado por meio da avaliação clínica e pode ser confirmado por teste genético quando uma variante patogênica relacionada à condição é identificada.

Avaliação clínica

A avaliação considera hiperextensibilidade da pele, cicatrizes atróficas, hipermobilidade articular, fragilidade dos tecidos, hematomas e histórico pessoal e familiar.

Teste genético

Quando indicado, a análise molecular pode investigar principalmente os genes COL5A1 e COL5A2, além de COL1A1 em situações específicas.

Principais características consideradas

  • Hiperextensibilidade da pele
  • Cicatrizes atróficas características
  • Hipermobilidade articular generalizada
  • Fragilidade da pele e dos tecidos
  • Facilidade para desenvolver hematomas
  • Histórico pessoal e familiar
  • Presença de outras manifestações compatíveis

Os critérios internacionais destacam como características principais da SEDc a hiperextensibilidade da pele associada a cicatrizes atróficas e a hipermobilidade articular generalizada.

Teste genético

O teste genético pode ser particularmente importante na SEDc porque permite identificar variantes patogênicas nos genes associados à condição.

A análise molecular pode investigar principalmente os genes COL5A1 e COL5A2, além de COL1A1 em situações específicas.

A identificação da alteração genética pode ajudar a confirmar o diagnóstico e também é importante para o aconselhamento genético da família.

Tratamento e acompanhamento

Não existe atualmente um tratamento que elimine a causa genética da SEDc. O acompanhamento é direcionado às manifestações apresentadas por cada pessoa.

Dependendo das necessidades individuais, podem participar do acompanhamento profissionais como:

  • Médicos de diferentes especialidades
  • Fisioterapeutas
  • Terapeutas ocupacionais
  • Profissionais especializados em dor
  • Profissionais envolvidos no acompanhamento da gestação, quando necessário

Os cuidados podem envolver estratégias para melhorar a estabilidade articular, preservar a função, reduzir lesões e controlar a dor.

A fragilidade da pele também deve ser considerada durante procedimentos médicos, cirúrgicos ou odontológicos, pois algumas pessoas podem apresentar maior dificuldade de cicatrização e maior risco de lesões.

Diferença entre SEDc e SEDh

A SEDc e a SEDh podem apresentar características semelhantes, especialmente hipermobilidade articular, dor e instabilidade.

SEDc

A fragilidade da pele, a hiperextensibilidade cutânea e as cicatrizes atróficas são características muito mais marcantes da SEDc.

SEDh

Pode apresentar hipermobilidade, dor e instabilidade, mas a avaliação clínica segue critérios próprios e diferentes da SEDc.

Em casos mais leves, pode existir sobreposição clínica entre as duas condições. Por isso, a avaliação especializada e, quando indicado, o teste genético podem ajudar a diferenciar os diagnósticos.

IMPORTANTE

A SEDc pode se manifestar de maneiras diferentes em cada pessoa. As características e sintomas apresentados nesta página não estão necessariamente presentes em todos os indivíduos com SEDc, e outras manifestações também podem ocorrer.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de um profissional de saúde. Para uma avaliação individualizada, procure profissionais capacitados para o diagnóstico e acompanhamento das Síndromes de Ehlers-Danlos.

Referências

Malfait F, Francomano C, Byers P, et al. The 2017 international classification of the Ehlers-Danlos syndromes. American Journal of Medical Genetics Part C: Seminars in Medical Genetics. 2017.

Malfait F, Symoens S, Syx D. Classic Ehlers-Danlos Syndrome. GeneReviews. University of Washington, Seattle. Atualizado em 2024.

GeneReviews. Molecular Genetic Testing Used in Classic Ehlers-Danlos Syndrome.

The Ehlers-Danlos Society. EDS Diagnostics 2017.