SÍNDROME DE EHLERS-DANLOS CIFoescoliótica

SEDcif ou kEDS, um subtipo raro da Síndrome de Ehlers-Danlos caracterizado principalmente por hipotonia muscular congênita, cifoescoliose de início precoce e hipermobilidade articular generalizada.

O que é a SEDcif?

A Síndrome de Ehlers-Danlos Cifoescoliótica, conhecida pela sigla SEDcif ou kEDS, é um subtipo raro e hereditário da Síndrome de Ehlers-Danlos.

A condição é caracterizada principalmente por hipotonia muscular congênita, cifoescoliose de início precoce e hipermobilidade articular generalizada.

A SEDcif pode também apresentar fraqueza muscular, atraso no desenvolvimento motor, alterações da pele, fragilidade vascular, osteopenia e outras manifestações relacionadas ao tecido conjuntivo.

CONTEÚDO EDUCATIVO

As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem avaliação, diagnóstico ou acompanhamento de profissionais de saúde.

Prevalência

A frequência da SEDcif na população ainda não está estabelecida com precisão.

1 em 100.000 estimativa aproximada para a forma PLOD1

A prevalência exata da SEDcif não é conhecida. A condição é considerada rara. Para a forma relacionada ao PLOD1, uma incidência aproximada de 1 caso para cada 100.000 nascidos vivos é considerada uma estimativa razoável, embora não exista uma estimativa populacional definitiva. A forma relacionada ao FKBP14 também é considerada rara, com poucos casos identificados e descritos na literatura médica.

Sinais e sintomas

A SEDcif pode apresentar manifestações musculares, ósseas, articulares, cutâneas, oculares, auditivas e vasculares. A combinação e a intensidade dos sinais variam entre as pessoas.

💪

Hipotonia e fraqueza muscular

A hipotonia muscular congênita é uma das principais características da SEDcif.

  • redução do tônus muscular
  • fraqueza muscular
  • atraso do desenvolvimento motor
  • atrofia muscular em algumas pessoas
  • dificuldade para caminhar ou manter posturas
🦴

Cifoescoliose

A cifoescoliose congênita ou de início precoce é uma das características principais da condição.

  • início desde o nascimento ou primeiros anos
  • progressão da curvatura
  • deformidade significativa da coluna
  • dor musculoesquelética
  • redução da capacidade funcional

Hipermobilidade articular

A hipermobilidade articular generalizada é uma das principais características da SEDcif.

  • hipermobilidade generalizada
  • subluxações
  • luxações recorrentes
  • instabilidade articular
  • entorses recorrentes
🧴

Manifestações da pele

Podem ocorrer diferentes alterações cutâneas, especialmente na forma relacionada ao PLOD1.

  • pele hiperextensível
  • pele macia
  • hematomas
  • fragilidade da pele
  • cicatrizes atróficas e alargadas
  • dificuldade de cicatrização
🦴

Manifestações ósseas

  • osteopenia
  • osteoporose
  • maior risco de fraturas em algumas pessoas
  • deformidades da coluna
  • deformidades dos pés
  • alterações do tórax
👁

Alterações oculares

Algumas manifestações são mais características da forma relacionada ao PLOD1.

  • escleras azuladas
  • fragilidade da esclera
  • ruptura ocular em casos raros
  • microcórnea
  • miopia e hipermetropia
👂

Alterações auditivas

A perda auditiva é particularmente associada à forma relacionada ao FKBP14.

  • perda auditiva condutiva
  • perda auditiva neurossensorial
  • perda auditiva mista
  • possível início durante a infância
🩸

Manifestações vasculares

Algumas pessoas, especialmente na forma PLOD1, podem apresentar fragilidade vascular.

  • aneurismas de artérias de médio calibre
  • dissecção arterial
  • ruptura arterial
🩺

Hérnias e outras manifestações

  • hérnia umbilical
  • hérnia inguinal
  • hábito corporal marfanoide
  • pectus excavatum
  • divertículos da bexiga
  • hiperqueratose folicular
  • alterações das válvulas cardíacas
  • prolapso retal em alguns casos

Base genética

A SEDcif pode ser causada por variantes patogênicas em duas cópias do gene PLOD1 ou do gene FKBP14.

PLOD1

Lisil-hidroxilase 1

O gene PLOD1 fornece as instruções para a produção da enzima lisil-hidroxilase 1, também conhecida como LH1. Essa enzima participa da modificação das moléculas de colágeno, processo necessário para a formação adequada das fibras de colágeno. Alterações no PLOD1 podem prejudicar esse processo e comprometer a resistência e a organização do tecido conjuntivo.

FKBP14

Proteína da matriz extracelular

O gene FKBP14 está relacionado à produção de uma proteína envolvida no funcionamento e na organização da matriz extracelular. Alterações nesse gene podem comprometer a organização de diferentes componentes do tecido conjuntivo, incluindo colágenos e outras proteínas da matriz extracelular.

Padrão de herança, autossômico recessivo

Para apresentar a condição, a pessoa geralmente precisa herdar uma variante patogênica em cada uma das duas cópias do gene relacionado, uma proveniente de cada progenitor. Quando ambos os pais são portadores de uma variante patogênica no mesmo gene, cada gestação apresenta:

25% probabilidade de a criança apresentar a condição
50% probabilidade de ser portadora de uma variante
25% probabilidade de não herdar nenhuma das variantes familiares

Diagnóstico

O diagnóstico começa pela avaliação das características clínicas e é confirmado por investigação genética.

Principais sinais de suspeita

Hipotonia muscular congênita, cifoescoliose congênita ou de início precoce, hipermobilidade articular generalizada, luxações ou subluxações recorrentes, fraqueza muscular, atraso motor, alterações da pele, osteopenia ou osteoporose, hérnias, alterações oculares, auditivas e vasculares.

1
Hipotonia muscular congênita
2
Cifoescoliose precoce
3
Hipermobilidade generalizada

Teste genético

A confirmação é realizada quando são identificadas duas variantes patogênicas ou provavelmente patogênicas, uma em cada cópia do gene PLOD1 ou FKBP14, de acordo com o subtipo molecular.

A investigação genética também ajuda a diferenciar as duas formas da SEDcif e outras condições com manifestações semelhantes.

Uma variante de significado incerto, isoladamente, não confirma nem exclui o diagnóstico.

Diferenças entre PLOD1-kEDS e FKBP14-kEDS

As duas formas apresentam as principais características da SEDcif, mas algumas manifestações são mais associadas a um dos genes.

PLOD1-kEDS

Gene relacionado: PLOD1
  • fragilidade cutânea
  • cicatrizes atróficas e alargadas
  • fragilidade ocular
  • ruptura ocular em casos raros
  • microcórnea
  • alterações faciais
  • possíveis complicações vasculares

FKBP14-kEDS

Gene relacionado: FKBP14
  • perda auditiva
  • atrofia muscular
  • hiperqueratose folicular
  • divertículos da bexiga

Tratamento e acompanhamento

Não existe atualmente um tratamento que elimine a alteração genética responsável pela SEDcif. O acompanhamento é direcionado às manifestações apresentadas por cada pessoa e à prevenção de complicações.

Reabilitação e acompanhamento

A fisioterapia pode auxiliar no fortalecimento muscular, estabilidade articular, mobilidade funcional e prevenção de lesões. O acompanhamento ortopédico é importante para monitorar a cifoescoliose e outras alterações da coluna. Em casos de curvaturas graves ou progressivas, podem ser considerados tratamentos específicos, incluindo órteses ou cirurgia.

Avaliações específicas

A função pulmonar pode precisar ser avaliada quando a cifoescoliose é importante. A avaliação auditiva é especialmente relevante quando existe suspeita da forma relacionada ao FKBP14. A avaliação oftalmológica pode ser indicada quando existem alterações oculares ou suspeita da forma relacionada ao PLOD1.

Profissionais que podem participar do acompanhamento

Geneticista Ortopedista Fisioterapeuta Neurologista Cardiologista Oftalmologista Otorrinolaringologista Pneumologista

Importante

A SEDcif afeta cada pessoa de forma diferente. Os sintomas listados aqui podem não afetar todas as pessoas com SEDcif, e pessoas com SEDcif podem apresentar outros sintomas que não estão listados nesta página.

Esta página se destina a fornecer informações sobre os sintomas que podem ocorrer em indivíduos com SEDcif e não constitui aconselhamento médico. Consulte sempre um profissional de saúde para obter orientação médica personalizada.

Referências

Malfait F, Francomano C, Byers P, et al. The 2017 international classification of the Ehlers-Danlos syndromes. American Journal of Medical Genetics Part C: Seminars in Medical Genetics. 2017.

Giunta C, Rohrbach M, Fauth C, et al. FKBP14 Kyphoscoliotic Ehlers-Danlos Syndrome. GeneReviews®. University of Washington, Seattle.

PLOD1-Related Kyphoscoliotic Ehlers-Danlos Syndrome. GeneReviews®. University of Washington, Seattle.

The Ehlers-Danlos Society. Kyphoscoliotic EDS, kEDS.