SÍNDROME DE EHLERS-DANLOS DERMATOSPARAXIAL
SEDd ou dEDS, um subtipo extremamente raro caracterizado principalmente por fragilidade intensa da pele e tecidos conjuntivos.
O que é a SEDd?
A Síndrome de Ehlers-Danlos Dermatosparaxial, conhecida pela sigla SEDd ou dEDS, é um subtipo muito raro da Síndrome de Ehlers-Danlos caracterizado principalmente por fragilidade extrema da pele, pele excessivamente frouxa e redundante, hematomas importantes e características faciais características.
O nome "dermatosparaxis" está relacionado à fragilidade e à facilidade de ruptura da pele. A condição também pode envolver articulações, músculos, ossos, órgãos internos e outros tecidos conjuntivos.
A SEDd é causada por alterações no gene ADAMTS2 e apresenta herança autossômica recessiva.
Uma condição extremamente rara
Não existe uma estimativa confiável de prevalência na população geral. A literatura médica descreve um número muito pequeno de pessoas diagnosticadas em todo o mundo, e novos casos continuam sendo identificados.
Sinais e sintomas
A SEDd pode apresentar manifestações principalmente na pele, mas também pode afetar articulações, músculos, ossos e órgãos internos. A combinação e a intensidade dos sinais podem variar entre as pessoas.
Manifestações da pele
A fragilidade cutânea é uma das características mais importantes da SEDd.
- Fragilidade extrema da pele
- Lacerações da pele presentes desde o nascimento ou posteriores
- Pele muito frouxa e redundante
- Excesso de dobras cutâneas
- Pele macia e com textura pastosa
- Hiperextensibilidade da pele
- Enrugamento aumentado das palmas das mãos
- Facilidade intensa para desenvolver hematomas
- Hematomas subcutâneos
- Sangramentos relacionados à fragilidade dos tecidos
- Cicatrizes atróficas
Características faciais
Podem estar presentes desde o nascimento ou se tornar mais evidentes durante a infância.
- Aparência facial característica
- Fontanela anterior aumentada
- Face arredondada ou cheia
- Olhos mais proeminentes
- Lábios volumosos
- Nariz com aparência característica
Crescimento e desenvolvimento
- Crescimento pós-natal reduzido
- Baixa estatura
- Membros, mãos e pés relativamente curtos
- Atraso no desenvolvimento motor
- Hipotonia muscular
Manifestações articulares
- Hipermobilidade articular generalizada
- Instabilidade articular
- Subluxações
- Luxações
- Frouxidão dos tecidos conjuntivos
Manifestações musculoesqueléticas
- Hipotonia
- Fraqueza muscular
- Osteopenia
- Alterações do desenvolvimento ósseo
- Alterações nas extremidades
- Dificuldades motoras
Hérnia umbilical
A hérnia umbilical pode estar presente desde a infância e está relacionada à fragilidade do tecido conjuntivo que sustenta a parede abdominal.
Fragilidade de órgãos internos
- Ruptura da bexiga
- Ruptura do diafragma
- Prolapso retal
- Outras manifestações relacionadas à fragilidade visceral
Outras manifestações
- Hirsutismo
- Alterações dentárias
- Miopia
- Astigmatismo
- Estrabismo
Base genética
A SEDd é causada por variantes patogênicas nas duas cópias do gene ADAMTS2.
O gene ADAMTS2 fornece as instruções para a produção de uma enzima chamada ADAMTS-2, também conhecida como procollagen I N-proteinase.
Essa enzima participa do processamento de moléculas precursoras do colágeno, chamadas procolágenos. Esse processo é necessário para que as moléculas de colágeno se organizem adequadamente e formem fibras resistentes.
Quando o ADAMTS2 apresenta alterações que reduzem ou eliminam sua função, o processamento do procolágeno é prejudicado. Como consequência, as fibras de colágeno podem apresentar organização anormal, contribuindo para a fragilidade dos tecidos conjuntivos observada na SEDd.
Padrão de herança
A SEDd apresenta padrão de herança autossômico recessivo. Isso significa que, para apresentar a condição, a pessoa geralmente precisa herdar uma variante patogênica em cada uma das duas cópias do gene ADAMTS2, uma proveniente de cada progenitor.
Os pais de uma pessoa com SEDd geralmente são portadores e não apresentam as manifestações completas da condição.
Diagnóstico
O diagnóstico da SEDd começa pela avaliação das características clínicas.
Os principais sinais que podem levantar suspeita incluem:
- Fragilidade extrema da pele
- Lacerações cutâneas congênitas ou pós-natais
- Pele redundante e muito frouxa
- Dobras cutâneas excessivas
- Características faciais características
- Hematomas graves
- Enrugamento aumentado das palmas das mãos
- Hérnia umbilical
- Crescimento pós-natal reduzido
- Membros, mãos e pés curtos
- Complicações relacionadas à fragilidade dos tecidos
Teste genético
A confirmação do diagnóstico é realizada por teste genético.
A SEDd é confirmada pela identificação de duas variantes patogênicas ou provavelmente patogênicas no gene ADAMTS2, uma em cada cópia do gene.
A análise genética é especialmente importante porque algumas características da SEDd podem se sobrepor às observadas em outros subtipos da Síndrome de Ehlers-Danlos, principalmente a SED clássica e a SED clássica-like.
Uma variante de significado incerto, isoladamente, não confirma nem exclui o diagnóstico.
Tratamento e acompanhamento
Não existe atualmente um tratamento que corrija a alteração genética responsável pela SEDd. O acompanhamento é direcionado às manifestações apresentadas por cada pessoa e à prevenção de complicações.
Dependendo das necessidades individuais, o acompanhamento pode envolver:
- Geneticista
- Dermatologista
- Pediatra ou clínico
- Ortopedista
- Fisioterapeuta
- Terapeuta ocupacional
- Oftalmologista
- Dentista
- Outros especialistas conforme as manifestações apresentadas
Os cuidados com a pele são especialmente importantes devido à sua fragilidade. Ferimentos devem receber tratamento adequado e procedimentos que possam causar trauma desnecessário à pele devem ser avaliados individualmente.
A fisioterapia pode ser utilizada para melhorar força, estabilidade e função, sempre considerando a fragilidade dos tecidos e a hipermobilidade articular.
Quando existem manifestações ósseas, articulares, oculares, dentárias ou relacionadas a órgãos internos, o acompanhamento deve ser direcionado à necessidade específica de cada pessoa.
Diferença entre SEDd e SED clássica
A SEDd e a SED clássica podem apresentar algumas características semelhantes, como hiperextensibilidade da pele, hipermobilidade articular, facilidade para desenvolver hematomas e cicatrizes atróficas.
SED clássica
Geralmente relacionada aos genes COL5A1 ou COL5A2.
Apresenta, em geral, padrão de herança autossômico dominante.
SED dermatosparaxial
Relacionada ao gene ADAMTS2.
Apresenta padrão de herança autossômico recessivo.
Entretanto, a SEDd apresenta fragilidade cutânea muito mais intensa, com pele excessivamente frouxa e redundante, dobras cutâneas características e alterações faciais que ajudam a diferenciá-la da SED clássica.
A confirmação genética é importante quando existe suspeita de SEDd.
Importante
A SEDd afeta cada pessoa de forma diferente. Os sintomas listados aqui podem não afetar todas as pessoas com SEDd, e pessoas com SEDd podem apresentar outros sintomas que não estão listados nesta página.
Esta página se destina a fornecer informações sobre os sintomas que podem ocorrer em indivíduos com SEDd e não constitui aconselhamento médico. Consulte sempre um profissional de saúde para obter orientação médica personalizada.
Referências
Malfait F, Francomano C, Byers P, et al. The 2017 international classification of the Ehlers-Danlos syndromes. American Journal of Medical Genetics Part C: Seminars in Medical Genetics. 2017.
De Paepe A, Malfait F, et al. Expanding the clinical and mutational spectrum of the Ehlers-Danlos syndrome, dermatosparaxis type. Genetics in Medicine. 2016.
Malfait F, et al. ADAMTS2: More than a procollagen N-proteinase. Genes & Diseases. 2025.
The Ehlers-Danlos Society. Dermatosparaxis EDS, dEDS.
GeneReviews®. Ehlers-Danlos Syndrome Types in the Differential Diagnosis of Hypermobile Ehlers-Danlos Syndrome.
MedlinePlus Genetics. ADAMTS2 gene.

