TRANSTORNO DO ESPECTRO DA HIPERMOBILIDADE
Entenda o TEH, suas principais características e como ele pode afetar a vida de uma pessoa.
O que é o TEH?
O Transtorno do Espectro da Hipermobilidade é um termo utilizado para descrever condições em que a hipermobilidade articular está associada a sintomas ou limitações que podem afetar o funcionamento e a qualidade de vida.
Hipermobilidade não significa necessariamente TEH
Algumas pessoas apresentam articulações mais flexíveis sem que isso cause sintomas ou problemas. O TEH é considerado quando a hipermobilidade está associada a manifestações clínicas relevantes.
O TEH não se resume a ser mais flexível.
Os diferentes tipos de HSD
Os Transtornos do Espectro da Hipermobilidade podem ser classificados de acordo com a distribuição da hipermobilidade articular pelo corpo. São descritos quatro tipos principais.
HSD GENERALIZADO
A hipermobilidade articular está presente de forma generalizada, acompanhada por manifestações musculoesqueléticas relacionadas.
HSD PERIFÉRICO
A hipermobilidade articular está predominantemente limitada às articulações das mãos e dos pés, acompanhada por manifestações relacionadas.
HSD LOCALIZADO
A hipermobilidade está presente em uma única articulação ou em um grupo de articulações da mesma região do corpo, com manifestações relacionadas.
HSD HISTÓRICO
Existe histórico de hipermobilidade articular generalizada, mas a hipermobilidade generalizada não é mais evidente no exame físico atual.
Importante: os quatro tipos são classificados pela distribuição da hipermobilidade. O diagnóstico de HSD também considera a presença de manifestações relacionadas à hipermobilidade e a avaliação de outras possíveis condições.
Ser flexível não é o mesmo que ter TEH
A hipermobilidade pode existir sem causar problemas. No TEH, a hipermobilidade está associada a sintomas e impactos que podem interferir na vida da pessoa.
HIPERMOBILIDADE SEM SINTOMAS
- Flexibilidade sem sintomas relevantes
- Não causa impacto significativo na rotina
- Estabilidade articular preservada
- Sem prejuízo funcional relacionado à hipermobilidade
TRANSTORNO DO ESPECTRO DA HIPERMOBILIDADE
- Hipermobilidade associada a sintomas persistentes
- Dores, fadiga e limitações no dia a dia
- Instabilidade, subluxações ou lesões recorrentes
- Impacto na qualidade de vida e no funcionamento cotidiano
Importante: ter hipermobilidade não significa automaticamente ter TEH. A avaliação deve considerar os sintomas, o impacto funcional e o contexto clínico de cada pessoa.
O TEH pode envolver diferentes sistemas do corpo
Embora a hipermobilidade seja uma característica central, o TEH pode estar associado a manifestações que vão além das articulações. A combinação de sintomas varia de pessoa para pessoa.
MÚSCULOS E ARTICULAÇÕES
Dor musculoesquelética, instabilidade, subluxações, luxações, entorses recorrentes, estalos e dificuldade para manter determinadas posições podem ocorrer.
FADIGA E ENERGIA
Algumas pessoas apresentam fadiga persistente, exaustão após atividades e menor tolerância ao esforço, podendo precisar de mais tempo para recuperação.
SISTEMA AUTONÔMICO
Podem ocorrer tontura, sensação de desmaio, palpitações, alterações relacionadas à pressão arterial e intolerância ao permanecer em pé.
SISTEMA DIGESTIVO
Algumas pessoas relatam sintomas gastrointestinais, como dor abdominal, refluxo, náuseas, alteração do hábito intestinal e sensação de digestão difícil.
SISTEMA NERVOSO
Podem existir cefaleias, tontura, dificuldades de concentração, sensação de névoa mental e alterações relacionadas à percepção corporal.
SONO
Dor, desconforto e outros sintomas podem interferir na qualidade do sono e na recuperação após o descanso.
PELE E TECIDOS
Algumas pessoas podem apresentar pele macia ou hiperextensível, facilidade para hematomas e outras características relacionadas ao tecido conjuntivo.
VIDA COTIDIANA
A combinação dos sintomas pode afetar estudos, trabalho, atividade física, relações sociais, lazer e outras tarefas do cotidiano.
Importante: essas manifestações não estão presentes em todas as pessoas com TEH. A presença de um ou mais sintomas isolados também não é suficiente para estabelecer um diagnóstico.
Diagnóstico e tratamento
O TEH é avaliado de forma clínica, considerando a hipermobilidade, os sintomas e o impacto na vida da pessoa.
Como é avaliado?
Não existe um exame único que confirme o TEH. A avaliação considera o conjunto de características apresentado pela pessoa.
- histórico dos sintomas e evolução do quadro
- avaliação da hipermobilidade articular
- presença de dor, instabilidade e outras manifestações
- impacto dos sintomas na vida cotidiana
- investigação de outras condições quando necessário
Como é tratado?
O tratamento é individualizado e tem como objetivo controlar os sintomas, melhorar a função e prevenir complicações.
- fisioterapia e fortalecimento
- estratégias para estabilização das articulações
- manejo da dor quando necessário
- adaptação das atividades e conservação de energia
- acompanhamento de outras manifestações associadas
Importante: o tratamento não é igual para todas as pessoas. O acompanhamento deve considerar os sintomas, limitações, necessidades e objetivos individuais.
TEH e SED, qual a diferença?
As duas condições podem apresentar manifestações semelhantes, mas não são a mesma coisa. A diferença está nos critérios utilizados para sua caracterização e diagnóstico.
Síndrome de Ehlers-Danlos
Grupo de condições genéticas do tecido conjuntivo, com diferentes subtipos e critérios diagnósticos específicos.
Transtorno do Espectro da Hipermobilidade
Condição relacionada à hipermobilidade sintomática, quando o quadro clínico não preenche os critérios diagnósticos de uma SED específica.
Importante: SED e TEH podem compartilhar sintomas e impactos na vida cotidiana. A diferenciação depende de uma avaliação clínica adequada, e uma condição não deve ser definida apenas pela presença de hipermobilidade.

