SÍNDROME DE EHLERS-DANLOS ARTROCALÁSICA

SEDa ou aEDS, um subtipo raro da Síndrome de Ehlers-Danlos marcado por hipermobilidade articular acentuada e luxação congênita bilateral dos quadris.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Hipermobilidade, quadris e tecido conjuntivo

A Síndrome de Ehlers-Danlos Artrocalásica é caracterizada principalmente por hipermobilidade articular generalizada acentuada, luxação congênita bilateral dos quadris e hiperextensibilidade da pele. Também podem ocorrer hipotonia muscular, baixa estatura, cifoescoliose, osteopenia e fragilidade óssea leve.

Sinais e sintomas

Articulações

Hipermobilidade generalizada acentuada, instabilidade, subluxações, luxações recorrentes, dor e limitações funcionais.

Luxação dos quadris

A luxação congênita bilateral dos quadris é uma das características mais importantes da SEDa e pode ajudar na diferenciação de outros subtipos.

Pele

Pode haver pele hiperextensível, macia ou aveludada, fragilidade, hematomas e alterações da cicatrização.

Músculos

Hipotonia, fraqueza muscular, redução da força e dificuldades motoras podem ocorrer, especialmente durante a infância.

Ossos e coluna

Baixa estatura, osteopenia, fragilidade óssea leve, cifoescoliose e outras alterações musculoesqueléticas.

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Outras características

Algumas pessoas podem apresentar características faciais ou outras manifestações relacionadas ao tecido conjuntivo.

Base genética

A SEDa está relacionada a variantes patogênicas heterozigóticas nos genes COL1A1 ou COL1A2.

Esses genes fornecem as instruções para a produção das cadeias que formam o colágeno tipo I, uma das principais proteínas estruturais do organismo.

Na SEDa, as variantes relacionadas à condição geralmente envolvem a perda do éxon 6 do COL1A1 ou do COL1A2, alterando o processamento normal do colágeno tipo I.

Padrão de herança

A SEDa apresenta padrão de herança autossômico dominante. Uma variante patogênica em uma das duas cópias do gene COL1A1 ou COL1A2 pode ser suficiente para causar a condição.

50% probabilidade de cada filho herdar a variante responsável pela condição
50% probabilidade de não herdar a variante familiar
de novo a condição também pode surgir sem histórico familiar conhecido

Diagnóstico

O diagnóstico da SEDa é realizado pela combinação das características clínicas e da confirmação genética.

Hipermobilidade: articular generalizada e acentuada.
Quadris: luxação congênita bilateral.
Pele: hiperextensível e frequentemente macia ou aveludada.
Músculos: hipotonia e fraqueza podem estar presentes.
Esqueleto: cifoescoliose, baixa estatura ou osteopenia podem ocorrer.
Genética: investigação de COL1A1 ou COL1A2.

Teste genético

A confirmação molecular pode ser realizada por meio de teste genético. O diagnóstico é estabelecido quando uma variante patogênica ou provavelmente patogênica compatível com SEDa é identificada em COL1A1 ou COL1A2.

A análise genética é importante porque alterações nesses mesmos genes também podem causar outras condições, incluindo diferentes formas de osteogênese imperfeita e fenótipos de sobreposição entre SED e osteogênese imperfeita.

Uma variante de significado incerto, isoladamente, não confirma nem exclui o diagnóstico.

Tratamento e acompanhamento

Fisioterapia

Pode auxiliar no fortalecimento muscular, estabilidade articular, coordenação dos movimentos e prevenção de lesões.

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Ortopedia

O acompanhamento pode ser importante quando existem luxações dos quadris ou outras alterações musculoesqueléticas.

Saúde óssea

A avaliação pode ser indicada quando existem fatores de risco para osteopenia ou fragilidade óssea.

Genética

O geneticista pode auxiliar na confirmação diagnóstica, interpretação do teste e aconselhamento genético.

Diferença entre SEDa e SEDh

SEDa

  • Hipermobilidade geralmente acentuada
  • Luxação congênita bilateral dos quadris
  • Pode apresentar hipotonia muscular
  • Pode apresentar osteopenia
  • Relacionada a COL1A1 ou COL1A2
  • Herança autossômica dominante

SEDh

  • Hipermobilidade articular generalizada
  • Não possui atualmente gene causal identificado
  • Não existe teste genético confirmatório
  • Pode apresentar dor e instabilidade articular
  • O diagnóstico é clínico

Prevalência

A prevalência exata da SEDa não é conhecida. A condição é considerada muito rara. Revisões da literatura identificaram dezenas de casos descritos mundialmente, mas esses números representam apenas os casos publicados e não permitem determinar a frequência real da condição na população.

Prevalência: desconhecida. A SEDa é considerada uma condição muito rara.

IMPORTANTE

A SEDa pode se manifestar de maneiras diferentes em cada pessoa. As características e sintomas apresentados nesta página não estão necessariamente presentes em todos os indivíduos com SEDa, e outras manifestações também podem ocorrer.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de um profissional de saúde. Para uma avaliação individualizada, procure profissionais capacitados para o diagnóstico e acompanhamento das Síndromes de Ehlers-Danlos.

Referências

Malfait F, Francomano C, Byers P, et al. The 2017 international classification of the Ehlers-Danlos syndromes. American Journal of Medical Genetics Part C: Seminars in Medical Genetics. 2017.

Martín-Martín M, et al. Ehlers-Danlos Syndrome Type Arthrochalasia: A Systematic Review. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2022.

GeneReviews®. COL1A1- and COL1A2-Related Osteogenesis Imperfecta, Allelic Disorders. University of Washington, Seattle. Atualizado em 2025.

GeneReviews®. Ehlers-Danlos Syndrome Types in the Differential Diagnosis of Hypermobile Ehlers-Danlos Syndrome.

The Ehlers-Danlos Society. The 2017 EDS/HSD Classification.