O que é o Transtorno do Espectro da Hipermobilidade (TEH)
O TEH é uma condição clínica que compartilha sintomas com a SED Hipermóvel, mas sem critérios genéticos definidos até o momento.
Ele representa uma continuidade do espectro da hipermobilidade, onde pessoas apresentam sintomas como dor, fadiga, instabilidade articular e disautonomia, mas não atendem totalmente aos critérios da SED.
Tipos de Hipermobilidade dentro do TEH
Segundo a classificação da Ehlers-Danlos Society (2017), o TEH é dividido em quatro categorias principais, dependendo de onde a hipermobilidade está presente e como ela afeta o corpo:
TEH Generalizado (Generalized HSD – G-HSD)
A hipermobilidade ocorre em múltiplas articulações do corpo.
É semelhante ao padrão da SEDh, mas a pessoa não cumpre todos os critérios clínicos da síndrome.
Pode causar dor generalizada, fadiga e sintomas sistêmicos (digestivos, autonômicos, etc.).
TEH Periférico (Peripheral HSD – P-HSD)
A hipermobilidade se limita principalmente às mãos e pés, podendo afetar atividades manuais ou a marcha.
Frequentemente observada em adultos, especialmente quando há histórico de hipermobilidade generalizada na infância.
TEH Localizado (Localized HSD – L-HSD)
A hipermobilidade está restrita a uma ou poucas articulações, como ombro, joelho ou mandíbula.
Pode surgir após traumas repetitivos ou lesões nessas articulações.
Mesmo sendo localizada, pode gerar dor crônica e limitação funcional.
TEH Histórico (Historical HSD – H-HSD)
Ocorre quando a pessoa já foi hipermóvel no passado, mas perdeu parte da flexibilidade com o tempo (por exemplo, após cirurgias, envelhecimento ou dor crônica).
Ainda assim, o histórico de hipermobilidade pode explicar sintomas persistentes de dor e instabilidade.
Diagnóstico e Manejo
O diagnóstico é clínico, feito por um profissional de saúde capacitado (geralmente reumatologista, geneticista ou fisiatra), com base na história médica, sintomas e testes de mobilidade, como o Índice de Beighton.
O tratamento é multidisciplinar, incluindo:
Fisioterapia voltada para estabilização articular.
Controle da dor e da fadiga.
Acompanhamento psicológico, devido ao impacto emocional da dor crônica.
Educação postural e manejo de atividades diárias.
ATENÇÃO
Em 2023, especialistas do grupo pediátrico do Consórcio Internacional de SED e TEH revisaram as orientações para avaliação de crianças e adolescentes. A recomendação passou a ser não estabelecer o diagnóstico clínico de SED hipermóvel antes da maturidade biológica, ou seja, antes do fim da puberdade, da finalização do crescimento ósseo ou dos 18 anos, o que acontecer primeiro.
Para a faixa etária a partir dos 5 anos até a maturidade biológica, foi proposta uma nova estrutura diagnóstica voltada ao público pediátrico.
Esse modelo inclui a Hipermobilidade Articular Generalizada Pediátrica e o Transtorno do Espectro da Hipermobilidade Generalizada Pediátrico.
Juntas, essas classificações abrangem oito categorias, definidas conforme a presença de complicações musculoesqueléticas, alterações de pele e tecidos e também possíveis comorbidades, como dor crônica primária, fadiga persistente, distúrbios gastrointestinais e urinários funcionais, disautonomia primária e ansiedade.
O acompanhamento deve envolver uma equipe multidisciplinar, com foco na prevenção de sintomas e em estratégias de cuidado e suporte ao longo do desenvolvimento.

