O QUE É SINDROME DE EHLERS DANLOS (SED)
A Síndrome de Ehlers Danlos (SED) é um grupo de condições genéticas raras que afetam o tecido conjuntivo, o material responsável por dar estrutura, sustentação e elasticidade ao corpo.
Esse tecido está presente em quase tudo: pele, articulações, vasos sanguíneos, órgãos e ligamentos.
Por isso, a SED pode afetar o corpo de forma ampla e muito diferente de pessoa para pessoa.
O principal problema está na produção, estrutura ou processamento do colágeno, uma das proteínas mais importantes do corpo humano.
Quando o colágeno não funciona como deveria, o corpo perde parte de sua estabilidade, resistência e elasticidade.
Principais sinais e sintomas
Os sintomas variam conforme o subtipo, mas alguns são comuns:
Hiperextensibilidade articular: articulações mais flexíveis que o normal, que podem levar a luxações, instabilidade e dor.
Pele elástica e frágil: pode ser mais macia, fina e propensa a hematomas e cicatrizes incomuns.
Dor crônica e fadiga: muitas pessoas com SED sentem dor constante, muscular e articular, além de cansaço extremo.
Disfunções autonômicas: tontura ao levantar, palpitações, desmaios e intolerância ao calor podem estar ligados à disautonomia.
Problemas gastrointestinais: refluxo, intestino irritável, constipação e sensibilidade alimentar são frequentes.
Sintomas neurovasculares: cefaleias, dores faciais e alterações circulatórias são relatadas em alguns subtipos.
Cada pessoa com SED é única, os sintomas podem variar muito, até dentro da mesma família.
Diagnóstico
O diagnóstico da SED é clínico e genético, dependendo do subtipo.
Os médicos mais indicados para conduzir a investigação são geneticistas e reumatologistas, mas o acompanhamento deve ser multidisciplinar, envolvendo fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais.Em muitos casos, especialmente na SED Hipermóvel (SEDh), ainda não existe exame genético confirmatório, o que torna a avaliação clínica e o histórico familiar fundamentais.
Subtipos da SED
Atualmente, existem 13 subtipos reconhecidos da Síndrome de Ehlers Danlos, classificados de acordo com o gene afetado e o tipo de alteração no colágeno.
Subtipo: SED clássica (SEDc)
Características: pele muito elástica, cicatrizes atróficas, articulações frouxas
Gene associado: COL5A1, COL5A2Subtipo: SED clássica tipo-like (SEDcl)
Características: sem cicatrizes atróficas, mas com pele frágil e frouxidão articular
Gene associado: TNXBSubtipo: SED hipermóvel (SEDh)
Características: hiperextensibilidade articular, dor crônica, fadiga, disautonomia
Gene associado: não identificadoSubtipo: SED vascular (SEDv)
Características: vasos e órgãos frágeis, risco de rupturas arteriais e intestinais
Gene associado: COL3A1Subtipo: SED cifoescoliótica (SEDce)
Características: pele muito elástica, cicatrizes atróficas, articulações frouxas
Gene associado: PLOD1, FKBP14Subtipo: SED artrocalásica (SEDa)
Características: luxações graves desde o nascimento, hipermobilidade extrema
Gene associado: COL1A1, COL1A2Subtipo: SED dermatosparáxica (SEDd)
Características: pele extremamente frágil e pendente, cicatrizes papiráceas
Gene associado: ADAMTS2Subtipo: SED espondilodisplásica (SEDe)
Características: baixa estatura, hipermobilidade e fragilidade óssea
Gene associado: B4GALT7, B3GALT6, SLC39A13Subtipo: SED miopática (SEDm)
Características: fraqueza muscular e articulações frouxas
Gene associado: COL12A1Subtipo: SED periodontal (SEDp)
Características: doença gengival severa e precoce, perda dentária, fragilidade tecidual
Gene associado: C1R, C1SSubtipo: SED cardíaco-valvar (SEDcv)
Características: comprometimento das válvulas cardíacas, pele e articulações frouxas
Gene associado: COL1A2Subtipo: SED musculocontratual (SEDmc)
Características: contraturas congênitas, fragilidade cutânea, cicatrizes anormais
Gene associado: CHST14, DSESubtipo: Síndrome da Córnea Frágil (SCF)
Características: córneas extremamente finas, risco de perfuração ocular
Gene associado: ZNF469, PRDM5
Em 2023, especialistas do grupo pediátrico do Consórcio Internacional de SED e TEH revisaram as orientações para avaliação de crianças e adolescentes. A recomendação passou a ser não estabelecer o diagnóstico clínico de SED hipermóvel antes da maturidade biológica, ou seja, antes do fim da puberdade, da finalização do crescimento ósseo ou dos 18 anos, o que acontecer primeiro.
Para a faixa etária a partir dos 5 anos até a maturidade biológica, foi proposta uma nova estrutura diagnóstica voltada ao público pediátrico.
Esse modelo inclui a Hipermobilidade Articular Generalizada Pediátrica e o Transtorno do Espectro da Hipermobilidade Generalizada Pediátrico.
Juntas, essas classificações abrangem oito categorias, definidas conforme a presença de complicações musculoesqueléticas, alterações de pele e tecidos e também possíveis comorbidades, como dor crônica primária, fadiga persistente, distúrbios gastrointestinais e urinários funcionais, disautonomia primária e ansiedade.
O acompanhamento deve envolver uma equipe multidisciplinar, com foco na prevenção de sintomas e em estratégias de cuidado e suporte ao longo do desenvolvimento.

